A Bolívia vive dias de forte tensão social e política, com protestos, bloqueios de estradas e confrontos a agravarem a crise enfrentada pelo presidente, Rodrigo Paz, que pode ter fugido do país. Nas últimas horas, membros do movimento indígena Ponchos Rojos surgiram em vídeos armados e ameaçaram avançar para uma guerra civil.
Os Ponchos Rojos, grupo aimará historicamente ligado ao antigo presidente Evo Morales, apoiam os protestos que se intensificaram nas últimas semanas devido à inflação, à escassez de combustível e às medidas de austeridade impostas pelo Executivo. Em La Paz, os confrontos entre manifestantes e Polícia já incluíram gás lacrimogéneo, explosões de dinamite e dezenas de detenções.
Segundo as autoridades bolivianas, os bloqueios nas estradas provocaram falta de alimentos, combustível e até oxigénio hospitalar em várias regiões do país. Alguns bancos encerraram temporariamente agências na capital por razões de segurança, enquanto milhares de camiões permanecem retidos nas estradas.
O governo acusa setores ligados a Evo Morales de tentarem desestabilizar o país. Já os manifestantes exigem o recuo das medidas económicas e, em alguns casos, a demissão de Rodrigo Paz, que está em parte incerta. Os Estados Unidos já manifestaram preocupação com a escalada da violência, classificando a situação como uma ameaça à estabilidade democrática boliviana.
Criados na região andina de Omasuyos, os Ponchos Rojos tornaram-se conhecidos durante a 'Guerra do Gás', em 2003, e são vistos como um dos movimentos indígenas mais radicais da Bolívia. O grupo já tinha ameaçado iniciar uma guerra civil durante anteriores crises políticas no país.

















