Os Estados Unidos (EUA) aumentaram a pressão sobre o regime cubano, com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de 54 anos, a dirigir-se diretamente ao povo cubano e o Departamento de Justiça a avançar com acusações contra Raúl Castro relacionadas com o abate de duas aeronaves civis, em 1996, tal como tinha anunciado o 24Horas.
Em espanhol, Marco Rubio distinguiu o povo cubano da liderança política de Havana e afirmou que os EUA estão disponíveis para uma "nova relação" com Cuba, desde que existam eleições livres, abertura democrática e redução do controlo militar sobre a economia. O responsável norte-americano acusou ainda o conglomerado militar GAESA, criado por Raúl Castro, de concentrar riqueza enquanto a população enfrenta apagões, escassez alimentar e falta de combustível.
Os EUA ofereceram também ajuda alimentar e médica a Cuba, mas defenderam que a distribuição deve ser feita através da Igreja Católica, organizações não-governamentais e grupos independentes, e não pelo Estado cubano. A posição está a ser vista como mais um sinal de afastamento diplomático em relação ao regime de Havana.
O Departamento de Justiça norte-americano anunciou acusações contra Raúl Castro por alegada conspiração para matar cidadãos dos EUA, homicídio e destruição de aeronaves civis. O processo está relacionado com o abate, em fevereiro de 1996, de duas avionetas da organização Brothers to the Rescue, que realizava missões de apoio a refugiados cubanos. O ataque provocou a morte de quatro pessoas.
As autoridades norte-americanas alegam que Raúl Castro, então ministro das Forças Armadas, terá autorizado ou participado na operação militar.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, já reagiu e acusou Washington de querer justificar uma possível ofensiva contra Havana: "Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento jurídico, que procura apenas engrossar o processo fabricado para justificar o disparate de uma agressão militar contra Cuba", afirmou.
Díaz-Canel defendeu ainda que "os Estados Unidos mentem e manipulam os acontecimentos em torno do abate das avionetas da organização narcoterrorista Brothers to the Rescue" e garantiu que “a 24 de fevereiro de 1996, Cuba atuou em legítima defesa, dentro das suas águas jurisdicionais”. O líder cubano acrescentou ainda que "a altura ética e o sentido humanista" de Raúl Castro "derrubam qualquer infâmia" levantada contra o antigo dirigente cubano.


















