O escritor Roberto Ampuero, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, assumiu hoje como novo representante permanente do seu país junto das Nações Unidas, o que é visto como uma aposta clara do novo presidente do Chile, José António Kast, numa figura com um percurso singular que cruza literatura, diplomacia, academia e política.

Também antigo ministro da Cultura do governo de Sebastian Piñeira, Ampuero é considerado uma das personalidades mais conhecidas da vida intelectual e política chilena das últimas décadas. A sua chegada à ONU é vista em Santiago como uma tentativa de reforçar o peso diplomático chileno num contexto internacional marcado por crescentes tensões geopolíticas e desafios multilaterais.

Nascido em Valparaíso, Ampuero destacou-se inicialmente como escritor, conquistando notoriedade internacional através da série policial protagonizada pelo detetive Cayetano Brulé, traduzida em vários países e amplamente reconhecida no universo literário latino-americano. A sua obra cruza frequentemente temas ligados ao exílio, identidade política, América Latina e relações internacionais, refletindo também a sua própria experiência de vida.

Após o golpe militar de Augusto Pinochet em 1973, Roberto Ampuero viveu no exílio, tendo passado pela antiga Alemanha de Leste, Cuba e Suécia. Essas experiências marcaram profundamente o seu pensamento político e intelectual, levando-o, anos mais tarde, a assumir posições críticas em relação aos regimes autoritários de inspiração comunista, incluindo o cubano.

Paralelamente à atividade literária, desenvolveu uma carreira académica internacional como professor universitário e conferencista, lecionando em várias instituições nos Estados Unidos e na América Latina, sobretudo nas áreas da literatura, relações internacionais e ciência política.

Ainda recentemente, Ampuero esteve em Portugal, mais concretamente no Porto, onde foi o principal orador da Conferencia ‘O Porto da Liberdade’, organizado pelo Instituto Português de História e Cultura Local (IPHCL).

A escolha de Roberto Ampuero para representar o Chile nas Nações Unidas surge num momento em que Santiago procura reforçar a sua presença diplomática global, apostando numa figura reconhecida tanto nos meios políticos como culturais internacionais.