O Governo brasileiro recusou a nomeação da diplomata Vivian Aisen para o cargo de cônsul-geral de Israel em São Paulo, aprofundando a crise diplomática entre Brasília e Telavive, que se intensificou após o início da guerra em Gaza.

O Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, justificou o veto com o facto de Vivian Aisen possuir dupla nacionalidade, brasileira e israelita, alegando que essa condição inviabiliza a acreditação como representante consular estrangeira.

Nos bastidores, contudo, fontes diplomáticas admitem que a decisão também reflete o forte desgaste das relações bilaterais entre os governos de Lula da Silva e Benjamin Netanyahu. Desde o início do conflito no Médio Oriente, os dois países trocaram duras críticas, culminando na retirada dos respetivos embaixadores.

Sem poder assumir funções em São Paulo, Vivian Aisen foi entretanto nomeada embaixadora de Israel na Colômbia. O consulado israelita na maior cidade brasileira permanecerá sem titular, numa altura em que o Brasil já está há cerca de 30 meses sem embaixador em Israel.

O episódio representa mais um capítulo de uma das mais profundas crises diplomáticas entre os dois países nas últimas décadas, sem sinais de aproximação no curto prazo.