A remoção de amianto nas antigas instalações da Escola Secundária de Cascais está a provocar uma polémica que ultrapassou as preocupações com a segurança dos alunos. Apesar dos esclarecimentos prestados pela Proteção Civil e das avaliações das autoridades competentes, a contestação prossegue, levantando questões sobre a forma como a informação foi transmitida às famílias e sobre o papel de alguns representantes dos pais.

Os trabalhos de remoção de amianto, iniciados na segunda-feira, 12 de outubro, decorrem nas antigas instalações da Escola Secundária de Cascais, enquanto as aulas têm lugar num edifício novo, inaugurado há cerca de um mês, e fora do perímetro onde decorre a demolição.

A intervenção motivou preocupações entre pais, professores e alunos, tendo a direção do agrupamento questionado as condições de segurança e a falta de informação atempada sobre o início das obras, situação essa que foi de imediato esclarecida pelo diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil de Cascais, Rui Ângelo, que garantiu que não existir motivo para preocupação relativamente à segurança da comunidade educativa, garantias essas corroboradas pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e pela a Unidade de Saúde Pública de Cascais.

A distinção entre os dois edifícios constitui um elemento importante: a remoção decorre nas antigas instalações, enquanto a atividade letiva prossegue nas novas.

Mas a atuação de alguns representantes dos encarregados de educação, nomeadamente da presidente da Associação de Pais da Escola Pereira Coutinho, apontada como uma das impulsionadoras de uma reunião que decorre neste momento, com a participação do movimento SOS Amianto, não contribuiriam em nada para tranquilizar a comunidade escolar.

Segundo informações recolhidas pelo 24Horas, a presidente da Associação de Pais terá recusado a entrada de representantes da Câmara Municipal de Cascais nessa reunião, impedindo assim a participação de responsáveis municipais que pretendiam esclarecer diretamente as dúvidas das famílias.

Entretanto, o blogue Cascais em Reflexão criticou também a atuação da direção escolar, considerando que a comunicação da diretora Inês Muller às famílias, para muitos feita de forma precipitada e sem rigor, terá contribuído para aumentar a inquietação, apesar das garantias entretanto prestadas pelas autoridades.