José Castelo Branco, de 63 anos, apresentou uma queixa-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa contra o antigo amigo David Motta (40), acusando-o do crime de abuso de confiança qualificado.

Segundo a denúncia, revelado pelo Dioguinho, o socialite alega que o ex-amigo se apropriou de dois artigos de luxo de elevado valor, uma carteira Hermès Kelly e um nécessaire Louis Vuitton, tendo posteriormente colocado ambos à venda na Vinted.

A amizade entre os dois remonta a 2001, quando se conheceram em Paris durante a Semana de Alta-Costura. No entanto, a relação tornou-se mais próxima anos depois, na sequência do homicídio do padrasto de David Mota, altura em que Castelo Branco decidiu acolhê-lo na sua casa, em Sintra, durante cerca de um ano.

O atual processo centra-se no desaparecimento de dois objetos específicos: um nécessaire Louis Vuitton, adquirido em 2006 por cerca de quatro mil euros, e uma carteira vintage Hermès Kelly em pele de crocodilo, datada da década de 1960 e considerada uma peça de elevado valor.

Segundo a queixa, o nécessaire ficou guardado, em 2018, na Casa do Visconde de Ouguela, em Sintra, a pedido de David Mota, acabando por desaparecer e sendo mais tarde encontrado na posse do denunciado.

Quanto à carteira Hermès, Castelo Branco afirma que a deixou para reparação numa sapataria em Lisboa. Em 2023, David Mota terá levantado o artigo sem autorização, alegando falsamente que tinha autorização do proprietário e justificando que pretendia evitar um eventual furto devido ao elevado valor da peça.

O alegado esquema só terá sido descoberto em 2024, quando José Castelo Branco contactou o estabelecimento para recuperar a carteira, um colete Denis Basso e umas sandálias Yves Saint Laurent (YSL), tendo sido informado de que todos os artigos já tinham sido entregues a David Mota.

As tentativas para recuperar os bens não tiveram sucesso. Segundo a denúncia, David Mota chegou a afirmar que a carteira estaria na posse de um maquilhador conhecido por "Frederico". No entanto, durante um encontro no batizado da neta de Castelo Branco, em março de 2024, este desmentiu essa versão, assegurando que os objetos continuavam com David Mota.

A investigação levada a cabo pela equipa jurídica do socialite ganhou um novo rumo em 2025, quando os dois artigos surgiram anunciados na plataforma Vinted. A conta utilizada, identificada como "comtessedelamotte" e localizada em Ferrel, colocou a carteira Hermès à venda por cerca de cinco mil euros.

Segundo a queixa, o anúncio continha uma descrição detalhada dos restauros realizados na mala, um em Paris, no início dos anos 2000, e outro mais recente nos cantos inferiores, informação que coincidia exatamente com o histórico da peça pertencente a José Castelo Branco. Além disso, as fotografias publicadas mostrariam, alegadamente, as mãos do denunciado.

A defesa sustenta ainda que a carteira Hermès tem um valor de mercado superior a 30 mil euros em leilões internacionais, enquanto o nécessaire Louis Vuitton estará avaliado em cerca de 2 mil e 500 euros.

Os advogados de José Castelo Branco defendem que os factos configuram um crime de abuso de confiança qualificado, tendo em conta o elevado valor patrimonial dos bens e a relação de confiança existente entre as partes. Na denúncia é ainda referido que a atuação de David Mota revela "manifesto desprezo pelo direito de propriedade do ofendido", com o objetivo de integrar os artigos no seu património através da venda pública.

Na queixa, formalizada a 29 de outubro de 2025, é solicitado ao MP que identifique e localize o denunciado, peça à Vinted os dados das contas associadas aos anúncios, proceda ao seu interrogatório e determine a apreensão e restituição dos artigos ao alegado proprietário.