Ciro Nogueira é um dos políticos mais influentes do Centrão brasileiro e voltou ao centro de novas investigações em Brasília. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, senador pelo Piauí e durante anos presidente nacional do PP, ele construiu uma carreira marcada por alianças políticas poderosas, forte influência no Congresso e sucessivas citações em casos de corrupção.

O senador passou novamente a ser alvo de atenção após o avanço das investigações do chamado “Caso Master”, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e empresários ligados ao grupo financeiro. A Polícia Federal investiga possíveis repasses milionários e articulações políticas que teriam beneficiado interesses do banco em Brasília.

Um dos principais pontos sob investigação envolve um projeto defendido por Ciro Nogueira que pretende aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, conhecido como FGC. Atualmente, o fundo cobre até 250 mil reais — cerca de 40 mil euros — por cliente em caso de quebra de bancos. A proposta apoiada pelo senador quer elevar esse valor para 1 milhão de reais, aproximadamente 160 mil euros.

Críticos afirmam que a mudança poderia beneficiar diretamente bancos médios e instituições financeiras com maior risco de mercado, como o Banco Master, porque aumentaria a confiança de investidores e clientes mesmo em aplicações consideradas arriscadas. Na prática, o projeto poderia facilitar a captação de bilhões de reais por bancos privados ao oferecer uma proteção muito maior aos investidores.

A proposta gerou forte reação no setor financeiro e dentro do Banco Central, já que especialistas temem que a medida aumente riscos ao sistema bancário brasileiro. Mesmo após o início das investigações, Ciro continua a defender publicamente a alteração da lei e afirma que o objetivo seria proteger clientes e modernizar o sistema financeiro nacional.

As suspeitas aumentaram ainda mais após surgirem informações sobre a compra de imóveis milionários em São Paulo, incluindo um tríplex de luxo avaliado em cerca de 22 milhões de reais, aproximadamente 3,5 milhões de euros, além de uma mansão estimada em 30 milhões de reais, cerca de 4,8 milhões de euros. Os imóveis passaram a chamar atenção pelo alto valor e pelo momento em que foram adquiridos.

Apesar das suspeitas, Ciro nega qualquer irregularidade. O senador afirma que está a ser alvo de perseguição política e diz que todo o seu património está declarado legalmente. Nas redes sociais, ele acusa adversários de tentarem desgastar a sua imagem às vésperas das eleições de 2026.

Nos bastidores de Brasília, o nome de Ciro chegou a ser apontado como possível candidato a vice-presidente numa eventual chapa liderada por Flávio Bolsonaro. A aproximação entre o PP e o PL era vista como estratégica para fortalecer a direita nas próximas eleições, mas as investigações acabaram por aumentar a pressão política sobre o senador.