O governo de Lula da Silva, de 80 anos, afirmou ter recebido "com surpresa" a decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o mercado europeu. A medida deverá entrar em vigor a 3 de setembro.

Em comunicado, os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento e das Relações Exteriores garantiram que o governo brasileiro vai adotar "todas as medidas necessárias" para tentar reverter a decisão e manter o fluxo de exportações para a Europa, mercado que compra carne brasileira há cerca de 40 anos.

Segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controlo do uso de antimicrobianos na pecuária, tema que tem sido alvo de regras mais rígidas no bloco europeu para combater a resistência bacteriana.

Apesar do veto anunciado, o governo brasileiro afirma que as exportações continuam a funcionar normalmente até à entrada em vigor da nova regra. Uma reunião entre representantes do Brasil e autoridades sanitárias europeias está marcada para esta quarta-feira, dia 13, em Bruxelas.

Os impactos podem ser pesados para o agronegócio brasileiro. Só em 2025, a UE importou cerca de 368 mil toneladas de carnes do Brasil, num total de 1,8 mil milhões de dólares, cerca de 1,66 mil milhões de euros. A carne bovina e a carne de frango lideram as exportações brasileiras para o bloco europeu.