Uma dezena de apoiantes do movimento Climáximo roubou bens alimentares e de higiene de um supermercado no Campo Pequeno, em Lisboa, para depois os distribuir por pessoas "em condição de pobreza", na Estação do Oriente. A ação pretende protestar contra os lucros das grandes superfícies, que continuam a "lucrar como nunca", num contexto de "guerra fóssil", e alertar "sobre o impacto da crise climática nos sistemas alimentares".

Os jovens recolheram dezenas de bens alimentares – como pão, fórmula para bebés e latas de atum – e de higiene – como pasta de dentes e pensos higiénicos – e saíram do supermercado sem pagar. Nas caixas onde transportaram os produtos, estão os logótipos dos supermercados Continente, Auchan, Pingo Doce e Lidl, e leem-se as mensagens: "Viemos redistribuir o que é de todos", ao lado de "eles comem tudo e não deixam nada", uma referência à música 'Os Vampiros', de Zeca Afonso.

"Esta ação de protesto denunciou os lucros extraordinários auferidos por grandes superfícies como o Continente e o Pingo Doce num contexto de guerra potenciado pelos combustíveis fósseis, enquanto o custo de vida de pessoas comuns aumenta", lê-se no comunicado do Climáximo.

Inês Teles, apoiante do movimento, afirma que "a dependência de combustíveis fósseis está não só a aumentar de forma drástica o custo de vida, como irá cada vez mais provocar a escassez de bens essenciais", citada no comunicado: "No meio deste caos, há quem fique a ganhar: as grandes superfícies e as empresas fósseis registam lucros ímpares com a guerra, com a nossa pobreza e a destruição do mundo. Eles estão a lucrar com a pobreza alheia.”

"A desigualdade em Portugal tem disparado." De acordo com dados da World Inequality Database, 1% da população concentra quase um quarto de toda a riqueza em Portugal, enquanto cerca da metade mais pobre do país possui apenas 3,63%.

“Tanto a Sonae como a Galp viram lucros record em 2025 e iniciaram 2026 em altas, após o escalar dos ataques imperialistas dos EUA e de Israel ao Irão. Ao mesmo tempo, o preço dos combustíveis dispara e o custo de vida aumenta, tendo sido atingido na semana passada o valor mais elevado do cabaz alimentar desde 2022,” afirma Inês Teles

“Cada grau adicional de aquecimento aproxima-nos de falhas agrícolas em larga escala. Culturas essenciais como o milho e o trigo já sofrem perdas com o aumento das temperaturas, colocando milhões em risco de fome e insegurança alimentar. O capitalismo fóssil oferece-nos um futuro de escassez, desigualdade, militarização e colapso climático acelerado. Não aceitaremos ser deixados à mercê de mais Kristins, nem subordinados à sede de lucro vampírica das grandes empresas”, remata.

Esta ação está integrada numa série de iniciativas que decorreram esta semana, no âmbito da 'Semana de Luta pelo Futuro'. O programa termina com uma concentração em frente à sede do Governo, em Lisboa, esta sexta-feira, 15, pelas 18:30. As reivindicações do Climáximo passam pelo "direito a viver, à educação e saúde gratuitas para todas as pessoas, à soberania alimentar, pelo fim da guerra e o fim aos combustíveis fósseis até 2030".

Climáximo via Instagram