O caso dos dois irmãos franceses encontrados sozinhos numa zona de mata em Alcácer do Sal está a ter forte destaque em França, onde vários meios de comunicação acompanham ao detalhe “a inacreditável história de abandono” das crianças de 3 e 5 anos. A imprensa francesa tem dado relevo não só ao desaparecimento dos menores, mas também às circunstâncias em que foram encontrados em Portugal e ao percurso da família por vários países europeus.

O jornal Le Parisien descreve o caso como “um cenário digno de um thriller” e relata que Zacharie e Barthélémy terão vagueado durante horas antes de serem encontrados por um casal português numa zona florestal perto da Comporta. A publicação francesa refere ainda que os dois irmãos estavam “desorientados”, transportavam pequenas mochilas e terão contado que lhes vendaram os olhos “como se fosse um jogo” antes de serem abandonados.

La Parisien

Também o Le Monde acompanha o caso sob o prisma judicial, destacando que o Ministério Público de Colmar abriu uma investigação por “abandono de menores”. O diário francês escreve que a mãe das crianças terá deixado França sem informar o pai e que o trajeto da família passou por Espanha antes da chegada a Portugal.

Le Monde

Já o Le Figaro centra-se nos relatos recolhidos pelas autoridades portuguesas e sublinha que os menores foram encontrados “sem documentos de identificação” e em evidente estado de fragilidade emocional. O jornal destaca ainda a rapidez com que o caso mobilizou investigadores franceses e portugueses após o alerta dado pelo pai das crianças.

Le Figaro

Entretanto, a detenção da mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e do companheiro, Marc Ballabriga, de 55, também mereceu amplo destaque em França. Os dois foram localizados pela GNR em Fátima e colocados em prisão preventiva em Portugal. A publicação revela ainda que o padrasto das crianças é um antigo militar francês com antecedentes relacionados com violência doméstica.

A imprensa francesa tem igualmente destacado o estado de saúde dos dois irmãos, que, segundo as autoridades portuguesas citadas pelos jornais, se encontram “aparentemente bem” e sob proteção das entidades competentes. O caso continua agora a ser investigado em simultâneo pelos dois países.