As zonas afetadas pela tempestade Kristin continuam vulneráveis vários meses depois da passagem do temporal e enfrentam agora um risco acrescido de incêndios rurais à medida que o verão se aproxima. O alerta consta do relatório da Presidência Aberta na região Centro, realizada por António José Seguro em abril, após visitas aos municípios atingidos.
Segundo o documento, “a acumulação de material lenhoso, o aumento da biomassa disponível, a persistência de linhas de água obstruídas, a insuficiente proteção de certos sistemas críticos e a existência de reparações ainda provisórias” estão a criar novas ameaças nas áreas afetadas pela tempestade. O relatório alerta ainda para o perigo de “incêndio rural, cheias localizadas, falhas prolongadas de infraestruturas e maior exposição de populações e atividades económicas”.
O texto refere também que os impactos da tempestade Kristin não terminaram com a reposição dos serviços essenciais. “A crise revelou um problema de duração. O dano não terminou com o restabelecimento mínimo dos serviços”, pode ler-se no relatório, que aponta atrasos na reconstrução, regularização de seguros, recuperação agrícola e limpeza florestal.
Entre as principais conclusões está ainda a existência de falhas na preparação do País para fenómenos meteorológicos extremos. O relatório considera que ficou exposta “a insuficiência do planeamento civil de emergência”, bem como a falta de manutenção de infraestruturas críticas, exercícios de prevenção e preparação das populações para situações de emergência. O documento destaca também “a fragilidade da cultura de autoproteção”, incluindo a ausência de kits de emergência e reservas básicas em muitos agregados familiares.
As depressões Kristin, Leonardo e Marta atingiram Portugal continental entre janeiro e fevereiro, provocando pelo menos 19 mortos, centenas de feridos e elevados prejuízos materiais. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estiveram entre as mais afetadas pelos temporais.

















