A DHL eCommerce está a reforçar a aposta na Península Ibérica, procurando transformar as crescentes limitações impostas na Europa às grandes plataformas chinesas numa oportunidade para acelerar o comércio eletrónico produzido e distribuído dentro do continente.

Segundo Pablo Ciano, CEO global da DHL eCommerce, o volume de encomendas enviadas diretamente da China para a Europa já caiu entre 30% e 40%, num contexto marcado pelo endurecimento da regulamentação comunitária e por uma maior pressão sobre plataformas de baixo custo como AliExpress, Shein ou Temu. Para a DHL, esta mudança abre espaço para um verdadeiro “Made in Europe” no comércio online.

Na Península Ibérica, o negócio transfronteiriço da empresa está já a crescer a dois dígitos, com uma subida de 20 por cento no segmento B2B e de 32% no B2C. Espanha e Portugal assumem, por isso, um papel estratégico na expansão europeia do grupo.

Um dos pilares dessa estratégia é a aliança com a CTT Express em Portugal, que permite à DHL reforçar a distribuição de última milha e integrar as operações de transporte empresarial e transfronteiriço. As atividades conjuntas deverão aproximar-se dos mil milhões de euros de faturação.

A empresa aposta também no crescimento das entregas fora de casa. A DHL dispõe de cerca de 160 mil pontos de recolha e cacifos na Europa, aos quais se juntam mais de mil cacifos operados pela CTT Express na Península Ibérica, estando prevista a instalação de outros 10 mil nos próximos anos.

Para a DHL, a transformação do comércio eletrónico europeu poderá beneficiar sobretudo pequenas e médias empresas locais. Com cadeias logísticas mais próximas, menores tempos de entrega e utilização crescente de inteligência artificial, o objetivo é claro: reduzir a dependência asiática e facilitar às marcas ibéricas o acesso aos restantes mercados europeus.