A estratégia comercial de Donald Trump destinada a reduzir as importações chinesas está a produzir efeitos inesperados. A diferença média entre as tarifas impostas à China e ao resto do mundo passou de menos de um ponto percentual em 2018 para cerca de 29 pontos, criando um enorme incentivo para que cadeias de fornecimento sejam reorganizadas através de países terceiros.

A quota da China nas importações norte-americanas caiu de 21% para apenas 9%. Mas, simultaneamente, aumentaram fortemente as exportações para os Estados Unidos provenientes de países como Vietname, Malásia ou México.

O problema para Washington é que muitos destes países passaram também a importar mais produtos chineses. Parte do comércio não desapareceu: mudou de rota.

A administração Trump acusa agora dezenas de países de facilitarem esquemas de transbordo destinados a contornar tarifas.

A guerra comercial demonstra assim a dificuldade de controlar cadeias globais extremamente interligadas. As tarifas conseguem alterar os mapas do comércio, mas não necessariamente eliminar a presença chinesa nos produtos que chegam ao consumidor norte-americano.