Brasil e Argentina continuam a ser os dois gigantes do Mercosul, mas a relação política entre Lula da Silva e Javier Milei está a provocar um crescente afastamento económico. Segundo a Veja, o comércio bilateral movimentou cerca de 30 mil milhões de dólares em 2025, mas começa agora a sofrer os efeitos das divergências entre Brasília e Buenos Aires.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 18 por cento. Mais significativo ainda é o reposicionamento argentino: enquanto as importações provenientes do Brasil recuaram 3,8%, as compras à China diminuíram 17,8%, mas as exportações argentinas para o gigante asiático cresceram 63 por cento. Para os Estados Unidos aumentaram mais de 42 por cento, o que significa que Milei procura, assim, diversificar parceiros e reduzir a histórica dependência económica do Brasil.

O setor automóvel é um dos mais expostos. Os veículos brasileiros vendidos na Argentina recuaram 34% entre janeiro e julho, ao mesmo tempo que Buenos Aires abriu espaço à entrada de automóveis elétricos e híbridos chineses, com uma quota anual de 50 mil unidades.

O problema ultrapassa, porém, a relação bilateral. O Brasil representa 79 por cento das exportações do Mercosul para fora do bloco, enquanto a Argentina responde por 18%, sendo que alguns economistas admitem mesmo que o afastamento entre Milei e Lula possa enfraquecer o próprio Mercosul, uma situação que ganha particular importância numa altura em que o bloco sul-americano procura finalmente concretizar o acordo comercial com a União Europeia.