A 34.ª edição da Marcha para Jesus, realizada esta quinta-feira, dia 4, em São Paulo, transformou-se num palco de forte movimentação política e de contrastes evidentes. O evento evangélico reuniu no mesmo trio elétrico o senador Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o Governo federal.
Contudo, a proximidade física no veículo não apagou o distanciamento ideológico. Enquanto Messias ficou visivelmente isolado na extremidade oposta do palanque, tendo recebido apenas um cumprimento formal de Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro aproveitou o microfone para discursar sobre uma alegada "guerra espiritual" e assegurar que "o mal será expulso do governo" nas eleições deste ano.
O tom político atingiu o ponto alto quando o parlamentar evocou o legado do pai e inflamou a multidão de fiéis com um forte apelo nacionalista e religioso. "Quero pedir a todos que orem por Jair Messias Bolsonaro, pelo Brasil, que voltará a ser uma nação irmã de Israel. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", declarou Flávio Bolsonaro do alto do palco principal. Noutro extremo do alinhamento ideológico, Jorge Messias adotou uma postura estritamente institucional, procurando desvincular a celebração religiosa do embate partidário ao sublinhar que o evento evangélico não deveria ser instrumentalizado como um comício.

















