O presidente da China, Xi Jinping, de 73 anos, manifestou apoio ao Brasil na defesa da sua soberania, esta segunda-feira, dia 27, e rejeitou "interferências externas", durante uma conversa telefónica com o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (80), num momento de crescente tensão comercial entre Brasília e Washington.
Segundo o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, Xi afirmou que Pequim atribui "grande importância" ao papel internacional do Brasil e manifestou apoio para que o país continue a contribuir para a paz e a estabilidade regionais e globais. O líder chinês defendeu ainda que China e Brasil, enquanto "membros importantes do Sul Global", devem posicionar-se "do lado certo da história" e reforçar a cooperação na reforma da governação global e na defesa da justiça internacional.
Lula destacou o aprofundamento da relação bilateral, sublinhando que o comércio entre os dois países voltou a atingir níveis recorde. O presidente brasileiro afirmou também que pretende reforçar a cooperação com a China em áreas como a inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento chinês.
A conversa decorreu após os Estados Unidos anunciarem tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. Brasília contestou a legitimidade da investigação, anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade e voltará a apresentar o caso no mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2025, as trocas comerciais entre os dois países atingiram um valor recorde de 171 mil milhões de dólares (150 mil milhões de euros), consolidando uma relação económica que tem vindo a reforçar-se nos setores da indústria, energia, mineração e infraestruturas.

















