O presidente da Argentina, Javier Milei, de 55 anos, insultou Luiz Inácio Lula da Silva (80) e o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes (57), durante a convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo. No discurso, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e referiu-se a Moraes como “lixo careca”, além de acusar o governo brasileiro de ser composto por “socialistas ladrões”. As declarações, feitas em território brasileiro, provocaram uma crise diplomática entre os dois países.

Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina no país, Daniel Raimondi, para apresentar um protesto formal contra as declarações do chefe de Estado argentino. Ao mesmo tempo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, numa das mais fortes medidas diplomáticas antes de um eventual agravamento das relações bilaterais.

Numa nota oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (Itamaraty) classificou as declarações de Milei como "lamentáveis" e afirmou que não há precedentes de um presidente estrangeiro utilizar território brasileiro para atacar o chefe de Estado, o Supremo Tribunal Federal e as instituições democráticas do país. O governo brasileiro considerou ainda que as palavras do líder argentino violam os princípios básicos do respeito entre Estados soberanos.

A tensão entre Brasília e Buenos Aires agravou-se após a decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu Milei de visitar o ex-presidente, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliária. Durante o evento do PL, o presidente argentino voltou a manifestar apoio a Bolsonaro e aproveitou o palco para dirigir novos ataques às autoridades brasileiras.

Apesar da escalada diplomática, Brasil e Argentina continuam a manter uma das mais importantes relações comerciais da América do Sul. Ainda assim, o episódio representa um dos momentos de maior tensão entre os dois governos desde que Javier Milei assumiu os destinos do país.