Uma aeronave capaz de destruir equipamento militar de milhões de dólares pode atualmente custar apenas alguns milhares. A guerra da Ucrânia e o conflito entre Israel e o Irão confirmaram uma transformação profunda no campo de batalha: os drones tornaram-se uma das armas decisivas da guerra moderna.
Especialistas militares destacam que a Ucrânia desenvolveu uma gigantesca indústria descentralizada de pequenos aparelhos não tripulados, apoiada por centenas de empresas privadas, sendo que algumas linhas de produção conseguem fabricar, em conjunto, cerca de meio milhão de unidades por mês. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, os drones são responsáveis por cerca de 70 por cento das baixas russas provocadas pelas forças ucranianas.
A vantagem é sobretudo económica. Um caça moderno pode custar dezenas de milhões de dólares, enquanto um drone Shahed utilizado pela Rússia ronda os 20 mil dólares. Esta diferença permite lançar enxames de aparelhos, obrigando o adversário a gastar sistemas antiaéreos muito mais caros para os destruir. Entretanto, o modelo espalhou-se, com o Irão a utilizar os Shahed — “mártir”, em árabe — e a demonstrar que estes aparelhos conseguem ultrapassar sofisticadas defesas aéreas. Moscovo, por seu lado, passou da importação de drones iranianos para a produção própria.
O fenómeno está igualmente a preocupar a Europa. França e Alemanha aceleram programas de defesa contra enxames de drones, enquanto outros países estudam as lições retiradas da Ucrânia, levando a que a guerra tecnológica deixe assim de ser necessariamente uma disputa entre as armas mais caras, bastando um aparelho relativamente simples, produzido em massa e guiado à distância, colocar em causa sistemas militares que custaram milhares de milhões.

















