Cinco estudantes universitários do Porto e de Lisboa estão a desenvolver a SARA, uma plataforma digital criada para ajudar famílias que cuidam de pessoas com demência. A ferramenta pretende facilitar o dia a dia dos cuidadores, sobretudo na fase que se segue ao diagnóstico, quando é necessário adaptar rotinas, organizar consultas e acompanhar a evolução da doença.

A plataforma reúne várias funcionalidades num único espaço. Entre elas está um calendário para registar consultas, atividades e episódios médicos, bem como uma ferramenta que permite acompanhar a evolução da doença através das anotações feitas pelos próprios cuidadores. A SARA permite ainda gerar um relatório que poderá ser utilizado nas consultas com um médico de família ou neurologista, ajudando a transmitir de forma organizada o que aconteceu entre cada acompanhamento clínico.

A ideia nasceu da perceção de que muitas famílias continuam a concentrar toda esta informação em cadernos e apontamentos. “É dar apoio às famílias, fazer com que os cuidadores não tenham de passar por tudo sozinhos”, explicou à Lusa Rita Graça, diretora-executiva do projeto.

A estudante, de 20 anos, está a caminho de um mestrado na área da gestão de informação e ciência de dados na Universidade Nova de Lisboa, depois de se ter licenciado em Sistemas e Tecnologias de Informação. Segundo Rita Graça, a SARA pretende reunir informação, tarefas e orientações “de forma simples e intuitiva”, tornando mais fácil a organização diária de quem acompanha uma pessoa com demência.

O projeto parte de uma realidade que os estudantes consideram preocupante. Segundo Rita Graça, existem cerca de 57 milhões de pessoas com demência em todo o mundo, número que considera conservador, enquanto em Portugal serão cerca de 240 mil.

Foi precisamente uma experiência pessoal que levou à criação da plataforma. Ao procurar informação sobre o problema, Rita Graça percebeu que a dificuldade não era exclusiva da sua realidade familiar e que existia uma necessidade muito mais abrangente de apoio aos cuidadores. A ideia de que “nenhuma família devia cuidar sozinha” é, por isso, uma das ideias centrais do projeto, que já está em acesso antecipado e em fase de testes com algumas famílias. O objetivo passa por disponibilizar a plataforma ainda este ano.

Os estudantes querem também que a utilização da SARA seja gratuita para as famílias, para que a ferramenta possa chegar ao maior número possível de utilizadores. Para isso, a equipa está a procurar estabelecer parcerias com hospitais, associações, autarquias e seguradoras.

O projeto começou em abril, quando Rita Graça e outros quatro estudantes conquistaram o segundo lugar num concurso de ideias. A equipa foi entretanto reformulada para participar na European Innovation Academy, no Porto, onde quatro dos cinco elementos representam a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade do Porto e o Instituto Superior Técnico.

Além de Rita Graça, fazem parte da equipa Madalena Videira, João Moutinho e Flávio Magalhães, envolvidos nas áreas de produto, sistemas e design.

O projeto está a ser desenvolvido no âmbito de um evento dedicado a soluções inovadoras na área da saúde e integra uma nova geração de projetos tecnológicos que procuram responder a problemas concretos. Entre eles estão também o Synetra, uma plataforma portátil de monitorização pré-hospitalar de doentes, e o SunCheck, um penso desenvolvido para monitorizar a exposição aos raios ultravioleta.