A cardiologista Isabel Quelhas, que assistiu Iker Casillas, de 45 anos, após o enfarte sofrido em 2019, garantiu esta sexta-feira, dia 18, em tribunal, ter a "certeza" de que a rutura da placa que provocou o problema cardíaco aconteceu durante um treino do FC Porto. O processo procura determinar se o episódio deve ser considerado um acidente de trabalho.

Casillas, recorde-se, sofreu um enfarte agudo do miocárdio a 1 de maio de 2019, quando ainda representava os dragões. Isabel Quelhas explicou que o antigo guarda-redes chegou ao hospital consciente, mas com uma dor persistente no peito.

Segundo a médica, o espanhol contou na altura que tinha sentido uma dor semelhante na noite anterior, durante alguns minutos, mas que esta desapareceu. Casillas desmentiu em tribunal ter sentido essa dor na véspera, embora a cardiologista admita que o antigo jogador possa já não se recordar do episódio.

A especialista distinguiu, porém, os dois momentos. A dor da véspera poderia estar relacionada com uma instabilidade da placa, enquanto a rutura terá acontecido quando Casillas sentiu uma dor mais forte durante o treino.

"Tenho a certeza que a rutura foi às 11:00, no momento de dor mais intensa", afirmou Isabel Quelhas, explicando que o exercício físico pode funcionar como fator precipitante quando existe uma placa instável.

A opinião não é, contudo, consensual. Também ouvido em tribunal, o cardiologista espanhol Hans Paul Gaebelt Slocker defendeu que um treino habitual não deveria provocar a rutura num atleta profissional. Segundo o especialista, apenas um esforço acima daquele a que Casillas estava habituado poderia contribuir para desencadear o enfarte.

Esta posição ganha relevância depois de Diogo Costa ter descrito o treino em causa como “moderado”, atribuindo-lhe um nível de exigência de três numa escala de zero a dez.

Casillas pretende que o enfarte seja reconhecido como acidente de trabalho, num processo que envolve o FC Porto e a seguradora Fidelidade. As alegações finais estão marcadas para 28 de outubro.