Diogo Costa, de 26 anos, garantiu em tribunal, esta quarta-feira, dia 16, que o treino realizado pelo FC Porto no dia em que Iker Casillas sofreu um enfarte, a 1 de maio de 2019, foi de intensidade “moderada”. O atual capitão dos dragões foi ouvido na segunda sessão do julgamento em que o antigo guarda-redes espanhol pretende que o episódio seja reconhecido como acidente de trabalho.

O depoimento assume particular relevância perante as dúvidas sobre o que desencadeou o enfarte e as diferentes posições apresentadas por especialistas. O cardiologista Luís Seca defendeu que um esforço de máxima intensidade poderá ter funcionado como gatilho para a rutura de uma placa aterosclerótica, enquanto o médico de medicina legal Duarte Nuno Vieira considerou mais provável uma causa natural, caso não seja demonstrado um esforço físico excecional.

Chamado a esclarecer como decorreu a sessão de trabalho, no Olival, Diogo Costa afastou a ideia de um treino particularmente exigente: “Era um treino muito mais tático, uma posse de bola em que o guarda-redes tinha pouca intervenção.”

O internacional português, que na altura partilhava os treinos com Casillas, recordou também o momento em que percebeu que algo estava errado: “Lembro-me de ver o Iker sentado à espera da sua vez e, de repente, ‘ai, ai’. Foi algo de muito inesperado."

Segundo Diogo Costa, o FC Porto encontrava-se na fase final da temporada, período em que os treinos privilegiavam a preparação tática em detrimento de cargas físicas mais elevadas.

O julgamento deverá agora determinar se existe uma relação entre a atividade profissional de Casillas naquele dia e o enfarte. O reconhecimento do episódio como acidente de trabalho está no centro do processo, que envolve responsabilidades do FC Porto e da seguradora Fidelidade.