O julgamento de José Castelo Branco, de 63 anos, acusado de violência doméstica contra Betty Grafstein (97), prosseguiu esta terça-feira, dia 6, com novos depoimentos. Amigos e uma antiga empregada do casal relataram em tribunal vários episódios que dizem ter presenciado ao longo dos anos. O socialite, que se encontra nos Estados Unidos (EUA), acompanhou a sessão através de videochamada.

Abel Dias, amigo de Betty, afirmou que nunca viu José Castelo Branco bater na mulher, mas garantiu ter assistido várias vezes a episódios de violência verbal. "A Betty era uma boneca nas mãos dele", disse. Segundo a testemunha, chegou mesmo a chamar a atenção do socialite por considerar que o comportamento estava a ir longe demais.

Abel contou ainda que Castelo Branco controlava a alimentação da mulher e que, por várias vezes, lhe terá tirado comida por querer que Betty fosse magra. A testemunha recordou frases que diz ter ouvido, como: "Tens de fazer dieta, estás gorda" e "Põe-te direita, pareces corcunda".

David Mota, que chegou a viver com o casal em Nova Iorque e em Sintra, também confirmou em tribunal que Castelo Branco controlava a alimentação de Betty. Além disso, afirmou ter presenciado discussões frequentes entre 2017 e 2019 e relatou um episódio em que terá visto o socialite dar um soco nas costas de Betty enquanto o casal se preparava para uma aparição pública. Disse ainda ter assistido a momentos em que Castelo Branco abanava a mulher.

Já Deborah Barton, antiga empregada do casal, começou por descrever a relação como normal e marcada por pequenas discussões. Ainda assim, recordou uma ocasião em que Castelo Branco terá agarrado Betty pelos tornozelos e colocado a mulher na cama de forma violenta, comportamento que classificou como "inaceitável".

Durante a sessão foi ainda ouvida uma funcionária do departamento de cobranças da CUF, que revelou existirem cerca de 52 mil euros em faturas de Betty por pagar.

José Castelo Branco é acusado de violência doméstica e tem negado as acusações. Na sessão anterior, Betty Grafstein afirmou que os alegados maus-tratos começaram no primeiro ano de casamento e disse ter chegado a temer pela própria vida. O julgamento prossegue a 13 de outubro, com a audição de testemunhas da defesa, entre as quais Guilherme Castelo Branco, filho do socialite.