A Lua está a tornar-se palco de uma nova corrida tecnológica entre as principais potências espaciais. Os EUA, a China e a Rússia estão a desenvolver planos para utilizar energia nuclear na superfície lunar, numa tentativa de garantir eletricidade de forma contínua para futuras missões e instalações. A NASA estabeleceu como objetivo desenvolver um reator de fissão para a superfície lunar até 2030, numa estratégia que poderá ser importante para assegurar uma presença humana prolongada no satélite natural da Terra, numa aposta já avançada.
A energia nuclear apresenta uma vantagem fundamental face aos painéis solares: pode produzir eletricidade de forma contínua, independentemente da iluminação. Na Lua, onde a noite lunar pode durar cerca de duas semanas em muitas regiões, esta capacidade poderá ser essencial para manter equipamentos, sistemas de comunicação, veículos e futuras instalações em funcionamento. A situação é particularmente relevante junto ao polo sul lunar, onde existem crateras permanentemente na sombra e onde os depósitos de gelo de água são considerados importantes para futuras missões.
Nos Estados Unidos, a NASA e o Departamento de Energia renovaram em janeiro de 2026 a cooperação para desenvolver um sistema de energia nuclear destinado à superfície lunar. A agência tem vindo a trabalhar num sistema de classe de 40 quilowatts para os primeiros anos da década de 2030, enquanto os requisitos mais recentes associados ao Lunar Reactor-1 apontam para um reator que possa ser lançado até ao final de 2030 e funcionar de forma autónoma durante vários anos.
China e Rússia também estudam a utilização de energia nuclear para apoiar a futura Estação Internacional de Investigação Lunar, que Pequim pretende começar a estabelecer no polo sul da Lua. A China aponta para a construção do modelo básico da estação até 2035 e, em 2025, responsáveis chineses apresentaram uma central nuclear como uma das possíveis soluções para o fornecimento de energia. A Rússia já tinha indicado anteriormente que os dois países consideravam colocar uma central nuclear na Lua durante a década de 2030.
Mais do que uma questão energética, estes projetos poderão ter importância estratégica para a próxima fase da exploração lunar. Uma fonte de energia contínua permitiria apoiar operações científicas, explorar recursos e manter infraestruturas durante períodos prolongados, podendo também contribuir para futuras missões a Marte. No entanto, os calendários atualmente divulgados são objetivos de desenvolvimento e não garantem que os reatores estejam efetivamente a funcionar na Lua nas datas previstas.

















