A Eurovisão anunciou esta quarta-feira, 12, uma alteração importante nas regras de organização do concurso. A partir da próxima edição, um país que esteja envolvido num conflito armado ou numa situação que coloque em causa a segurança e a estabilidade ficará impedido de receber o festival no ano seguinte, mesmo que o seu representante conquiste a vitória.

Até agora, a tradição da Eurovisão determinava que o país vencedor assumisse automaticamente a organização da edição seguinte.

De acordo com a nova regulamentação, ficam abrangidos países envolvidos num “conflito armado, situação geopolítica sensível ou qualquer outra situação que afete materialmente a segurança, a proteção ou a estabilidade do seu Estado ou região imediata”.

A alteração surge num contexto particularmente sensível para o concurso e poderá ter impacto sobretudo na participação de Israel e da Ucrânia, dois países envolvidos em situações de conflito.

Israel terminou em segundo lugar pelo segundo ano consecutivo e algumas emissoras participantes terão manifestado preocupações, de forma privada, sobre a segurança de uma eventual edição realizada em Telavive ou Jerusalém caso o país consiga vencer.

A Ucrânia também foi afetada por uma situação semelhante. Em 2022, o país venceu o concurso através da Kalush Orchestra, mas a invasão russa levantou dúvidas sobre a capacidade de Kyiv para receber o evento. Depois de uma avaliação das condições de segurança e da viabilidade da organização, a União Europeia de Radiodifusão e a BBC decidiram que o festival de 2023 seria realizado no Reino Unido.

A nova regra surge depois de uma edição particularmente polémica. A final do 70.º Festival Eurovisão da Canção, realizada este ano em Viena, contou com 25 países participantes, enquanto Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia decidiram boicotar o concurso devido à participação de Israel.