O futebolista brasileiro Richarlison, avançado do Tottenham, acusa Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência do Brasil, e o advogado Willer Tomaz de terem beneficiado de uma alegada manobra judicial que o deixou sem uma mansão de luxo e sem recuperar os cerca de 10 milhões de reais (1,6 milhões de euros) que afirma ter investido.

A propriedade fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e dispõe de 11 suítes, praia privativa, heliporto e campo de ténis. O terreno pertence ao Estado brasileiro, pelo que o negócio envolvia direitos de ocupação.

Richarlison garante que investiu na propriedade durante a pandemia e que, depois de recusar vendê-la a Flávio Bolsonaro, perdeu o controlo do imóvel. Os direitos de ocupação acabaram por passar para uma empresa ligada a Willer Tomaz, amigo do senador.

A disputa chegou aos tribunais, que decidiram a favor da empresa do advogado. Contudo, o jogador afirma que nunca recuperou o dinheiro investido.

Em outubro, Richarlison divulgou um vídeo nas redes sociais, apresentou documentos relacionados com o negócio e pediu uma investigação da Polícia Federal.

Entretanto, um grupo de advogados apresentou uma representação ao Ministério Público Federal, solicitando o apuramento de possíveis irregularidades na transferência dos direitos de ocupação.

Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento na compra ou venda da propriedade e rejeita as acusações. Já Willer Tomaz tentou impedir judicialmente novas publicações do futebolista sobre o caso, mas o pedido urgente foi recusado.

As acusações continuam por provar e não existe, até ao momento, confirmação de qualquer crime cometido pelos envolvidos.