A França está nas meias-finais do Mundial 2026. A seleção de Didier Deschamps derrotou Marrocos por 2-0, na quinta-feira, nos quartos de final disputados no Boston Stadium, em Foxborough (Massachusetts), repetindo o resultado exato da meia-final de 2022, no Qatar. Kylian Mbappé, aos 60 minutos, e Ousmane Dembélé, aos 66, fizeram os golos que selaram o triunfo e colocaram Les Bleus na rota de uma terceira final consecutiva de Mundiais.
A França vai agora defrontar o vencedor do duelo entre Espanha e Bélgica, que se joga esta sexta-feira em Los Angeles, nas meias-finais marcadas para terça-feira, dia 14…o dia nacional da França.
Mbappé voltou a ser a figura central da noite, mas desta vez com um guião mais acidentado. Aos 28 minutos, o capitão francês foi derrubado por Noussair Mazraoui dentro da grande área e o árbitro argentino Facundo Tello assinalou penálti, decisão que o VAR demorou mais de três minutos a confirmar. A longa espera terá perturbado a rotina do avançado do Real Madrid: Yassine Bounou adivinhou o lado e defendeu a cobrança, interrompendo uma série de 15 penáltis consecutivos convertidos por Mbappé pela seleção francesa. Foi o primeiro penálti falhado pelo jogador em Mundiais.
A primeira parte terminou sem golos, mas não por falta de oportunidades francesas. Désiré Doué, Dayot Upamecano e Lucas Digne obrigaram Bounou a intervenções decisivas, com o lateral do Aston Villa a acertar ainda na barra nos descontos da primeira parte. Marrocos, em contraste, não registou um único remate enquadrado nos primeiros 45 minutos.
O cenário mudou aos 60 minutos, quando Mbappé recebeu de Doué, passou por Issa Diop e encaixou um remate curvo de fora da área que não deu hipóteses ao guardião marroquino. Foi o oitavo golo de Mbappé neste Mundial, igualando Lionel Messi no topo da lista de marcadores da competição , e o vigésimo da sua carreira em Campeonatos do Mundo, ficando a apenas um do recorde absoluto do argentino (21).
Seis minutos depois, Mbappé conduziu a bola em velocidade contra a defesa marroquina e serviu Dembélé, que rematou rasteiro para o canto: o quinto golo do extremo do PSG no torneio, com Bounou a ainda tocar na bola sem conseguir evitar o golo.
Marrocos tentou reagir com as entradas de Soufiane Rahimi, Gessime Yassine e Sofyan Amrabat, mas só conseguiu o primeiro (e único) remate enquadrado da partida aos 83 minutos, por Azzedine Ounahi, defendido com segurança por Mike Maignan. Os números do jogo espelham a superioridade gaulesa: 22 remates contra cinco, oito enquadrados contra apenas um, e um expected goals de 3.04 contra 0.14 dos marroquinos.
Mbappé foi substituído aos 77 minutos com queixas no tornozelo direito e sentou-se no banco com gelo na zona lesionada, embora as imagens finais do jogo o mostrassem a celebrar com os companheiros, o que sugere que a situação não será grave. Jean-Philippe Mateta, que o substituiu, ainda esteve perto de fazer o terceiro já nos descontos, mas Bounou travou o remate com o pé.
A grande baixa de Marrocos foi Ismael Saibari, avançado que liderava a lista de marcadores da seleção com três golos no torneio, excluído por lesão muscular na coxa sofrida frente ao Canadá nos oitavos de final. Sem o jogador do Bayern de Munique, o selecionador Mohamed Ouahbi optou por uma frente de ataque fluída, com Brahim Díaz como referência, mas a equipa nunca conseguiu criar verdadeiro perigo.
Destaque ainda para Ayyoub Bouaddi, médio de apenas 18 anos do Lille, que se tornou o jogador mais jovem a disputar um quarto de final de um Mundial desde Pelé, em 1958, e o primeiro africano de sempre a somar cinco jogos em Mundiais enquanto adolescente. Apesar da eliminação, Marrocos chegou a este torneio na mais longa série invicta de qualquer seleção (34 jogos sem perder ) e confirma-se como potência do futebol africano a quatro anos de co-organizar o Mundial de 2030.
A nomeação de uma equipa de arbitragem inteiramente argentina para este jogo gerou polémica nos dias anteriores, alimentada pelo clima de suspeição após o controverso Egito-Argentina dos oitavos de final. As teorias de que a FIFA favoreceria a Argentina ao designar um árbitro compatriota para o jogo do adversário mais temido foram rapidamente desmentidas pela superioridade inequívoca da França.

















