O Fundo Monetário Internacional (FMI) deixou um aviso a França perante o agravamento do custo da dívida e a instabilidade política que atravessa a segunda maior economia da União Europeia. Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, apelou ao país, liderado por Emmanuel Macron, para colocar as contas públicas no centro das prioridades: “Ponham a casa em ordem.”
Em entrevista à CNBC, Georgieva explicou que a situação resulta da combinação entre anos de recurso ao endividamento e um quadro político particularmente instável: “O que vemos em França é uma complicação causada, por um lado, pelas consequências de empréstimos sucessivos e, por outro, por um cenário político dinâmico que cria ainda mais dificuldades para o Ministério das Finanças definir um caminho claro.”
O alerta surge num momento em que financiar a França, debaixo de manifestações, greves, distúrbio e milhares de jovens detidos, se tornou significativamente mais caro. As yields das obrigações a 30 anos atingiram esta terça-feira, dia 6, os níveis mais elevados dos últimos 24 anos, refletindo a pressão sentida no mercado da dívida.
O peso das contas públicas ajuda a explicar a preocupação. Em junho, a dívida francesa aproximava-se dos 3,6 biliões de euros, cerca de 119% do Produto Interno Bruto. A este cenário junta-se a instabilidade política e social vivida nas últimas semanas.
Georgieva considera, contudo, existir em França um “reconhecimento muito claro” de que é necessário baixar o défice para menos de 5% do PIB, depois dos 5,1% registados no ano passado.
Com a primeira volta das presidenciais marcada para 18 de abril, a redução do défice e o controlo da dívida entram assim no centro do debate político francês.
Créditos: X

















