O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitou a sua participação como convidado na cimeira do G7, que decorre em Évian, França, para reforçar a defesa da soberania nacional no combate ao crime organizado e criticar políticas unilaterais nas relações internacionais.
Durante a intervenção realizada esta terça-feira, 16 de junho de 2026, Lula defendeu que a cooperação entre países no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro deve respeitar a autonomia de cada Estado e as respetivas jurisdições nacionais.
As declarações surgem poucas semanas depois de a administração norte-americana, liderada por Donald Trump, ter classificado as organizações criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho como grupos terroristas. Sem mencionar diretamente a decisão dos Estados Unidos, o Presidente brasileiro sustentou que o combate à criminalidade transnacional deve assentar na cooperação institucional entre forças de segurança e serviços de inteligência, através de mecanismos internacionais já existentes, como a Interpol, evitando iniciativas que possam ser interpretadas como ingerência externa.
Além da questão da segurança, Lula voltou a defender o multilateralismo e criticou medidas protecionistas adotadas por algumas potências económicas. O chefe de Estado brasileiro argumentou que o aumento das barreiras comerciais e decisões unilaterais não contribuem para resolver os desafios económicos globais e tendem a aprofundar as desigualdades entre países desenvolvidos e economias emergentes.
A intervenção ocorreu num contexto de divergências políticas e diplomáticas entre Brasília e Washington. Durante a tradicional fotografia oficial dos líderes presentes na cimeira, a ausência de interação entre Lula e Donald Trump chamou a atenção de participantes e observadores do encontro.
Nos próximos dias, a agenda do Presidente brasileiro no G7 deverá centrar-se em temas relacionados com a transição energética, o desenvolvimento sustentável e a atração de investimentos internacionais para setores estratégicos da economia brasileira.

















