Santa Catarina quer transformar a proximidade com o Paraguai numa vantagem económica e logística. Uma missão liderada pelo governador Jorginho Mello, e de que faz parte igualmente Paulo Bornauhsen, secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina, abriu caminho para sete potenciais parcerias, que vão das infraestruturas ao agronegócio e à economia digital, numa altura em que o país vizinho atrai cada vez mais empresas brasileiras devido à menor carga fiscal e ao regime de maquila.
Entre os projetos ganha destaque uma nova ponte de integração, destinada a melhorar as ligações entre Santa Catarina, a província argentina de Misiones e o Paraguai. Outra prioridade é a Rota do Milho, corredor que poderá facilitar o abastecimento da poderosa indústria catarinense de aves e suínos com cereal paraguaio, reduzindo distâncias e custos de transporte.
A estratégia contempla igualmente a utilização dos portos catarinenses por cargas paraguaias, aproveitando o desenvolvimento da Rota Bioceânica e da Hidrovia Paraguai-Paraná, além da criação de zonas especiais de processamento associadas ao regime de maquila e à energia renovável produzida no Paraguai.
No plano tecnológico, surge uma das propostas mais ambiciosas: ligar o Paraguai aos cabos submarinos internacionais que chegam a Santa Catarina, permitindo ao Estado brasileiro afirmar-se como porta de entrada de dados no Cone Sul. A aposta é clara: em vez de encarar o Paraguai apenas como concorrente fiscal, Santa Catarina pretende transformá-lo num parceiro estratégico e numa oportunidade de integração regional.

















