A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia recuou no projeto que previa vedar o Jardim do Morro e estabelecer um horário de funcionamento para aquele espaço, um dos principais pontos turísticos da cidade. A decisão surge após a contestação pública e política à medida, mas a oposição insiste na necessidade de um debate alargado para encontrar soluções para os problemas de insegurança na zona.

O vice-presidente da autarquia, Firmino Pereira, foi o autor da proposta e reconheceu, em declarações ao Observador, que a reação negativa pesou na decisão: “Foi uma ideia que concetualizei após a observação.” O autarca do PSD admitiu ainda não se sentir “completamente à vontade para impor uma ideia que está a criar tanto transtorno”.

O projeto representava um investimento estimado em 700 mil euros e contemplava a vedação do jardim, duas entradas controladas e o encerramento do espaço durante a noite. Estavam também previstas instalações sanitárias, a remodelação do parque infantil e a recuperação da gruta, atualmente encerrada por razões de segurança. A presença policial e um sistema de videovigilância integravam igualmente o plano.

“Todas as ideias têm o seu período de sucesso e de insucesso. Esta ideia não acolheu um sentimento favorável, mas, se calhar, no futuro, poderão vir a dar-me razão”, admitiu Firmino Pereira.

A suspensão foi recebida com satisfação pelo PS. O líder da oposição municipal, João Paulo Correia, considera, porém, que os problemas permanecem. “Há decisões que, pelo seu impacto, têm de ser objeto prévio de debate público. Os problemas de insegurança e utilização indevida do Jardim do Morro persistem.”