O antigo capitão do Boavista Rui Casaca, hoje com 66 anos, manifestou-se esta sexta-feira, dia 17, contra o desfecho que ditou o fim da atividade do clube do Bessa no futebol profissional, deixando duras críticas aos responsáveis pela gestão da instituição e apelando ao apuramento de responsabilidades.

Numa extensa publicação na rede social Facebook, o histórico jogador axadrezado, que representou o Boavista entre 1984 e 1994, lamenta o impacto da situação nas novas gerações de adeptos e recorre ao exemplo do neto para ilustrar a dimensão da desilusão. "Como explico ao meu neto, que se inscreveu no Boavista por minha causa, que hoje me pergunta por que razão o Boavista fechou? Como lhe explico que o clube que lhe apresentei como herança, orgulho e futuro foi deixado cair por quem tinha obrigação de o proteger?"

Casaca exige que sejam identificados os responsáveis pela situação e aponta o dedo aos antigos dirigentes do clube. "Os dirigentes que conduziram o Boavista a esta situação, a quem tomou decisões ruinosas, a quem geriu sem rigor, a quem prometeu o que não podia cumprir, a quem adiou soluções e a quem colocou em risco a sobrevivência de uma instituição centenária, devem ser chamados a responder perante os boavisteiros e, se houver fundamento legal, perante a justiça."

O antigo defesa considera que "não se pode destruir um clube desta grandeza e depois refugiar-se no silêncio, na desculpa fácil ou na tentativa de reescrever a história", defendendo que "quem falhou deve prestar contas" e "não pode sair ileso como se o estrago tivesse sido feito por ninguém".

As críticas estendem-se igualmente à Câmara Municipal do Porto, que acusa de ter assistido "ao lento desmoronar de um dos maiores símbolos desportivos da cidade sem que se conhecesse uma estratégia séria, firme e consequente para preservar um património que pertence ao Porto".

Rui Casaca censura ainda o "silêncio de muitos empresários" que, afirma, "desapareceram quando o Boavista precisava verdadeiramente de apoio", bem como a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga Portugal e outras entidades desportivas.

"É fácil aparecer em discursos, em cerimónias e em comunicados. Difícil é agir quando um emblema centenário está a ser deixado cair à vista de todos", escreve o antigo internacional, que conclui com um apelo para que o desaparecimento do Boavista não fique sem consequências e que os responsáveis sejam chamados a responder pelo estado a que chegou uma das instituições mais emblemáticas do futebol português.

Crédito: Facebook / Rui Manuel Casaca