As autoridades de Hong Kong deixaram um aviso sobre a exibição de obras na região depois de um filme sobre o ativista Joshua Wong, de 29 anos, ter sido alvo de críticas na imprensa pró-Pequim.
Em declarações citadas pelo Hong Kong Free Press, o Departamento de Segurança recordou que qualquer conteúdo transmitido em Hong Kong deve respeitar a legislação em vigor, dando particular destaque às normas relacionadas com a segurança nacional.
A mesma autoridade avisou que a polícia poderá atuar perante eventuais violações da lei e apelou aos cidadãos para que não adotem comportamentos que possam pôr em causa a soberania nacional.
O alerta surgiu depois de o jornal Wen Wei Po, alinhado com Pequim, ter publicado um artigo a criticar o documentário ‘Joshua: Teenager vs. Superpower’. A publicação acusa o filme de apresentar uma versão distorcida dos acontecimentos e de procurar valorizar a figura de Joshua Wong.
Realizado pelo norte-americano Joe Piscatella (54), o documentário foi distinguido no Festival de Sundance e acompanha o percurso político do ativista, desde a adolescência até à atualidade. O filme continua disponível na Netflix e o respetivo trailer já soma centenas de milhares de visualizações no YouTube.
O ativista encontra-se, atualmente, preso há seis anos. A 2 de setembro, declarou-se culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras, crime previsto na lei de segurança nacional aprovada por Pequim em 2020 e que pode ser punido com prisão perpétua.
De ativista adolescente a figura internacional
Joshua Wong tornou-se conhecido aos 15 anos, quando liderou o grupo estudantil Scholarism. O movimento esteve na origem de protestos que levaram, em 2012, à retirada de um programa de educação patriótica das escolas.
Dois anos depois, Wong ganhou ainda maior projeção durante a chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas”, movimento que exigia eleições por sufrágio universal em Hong Kong.
Em 2016, ajudou a fundar o partido Demosisto, que defendia a autodeterminação democrática do território. Wong acabou, contudo, impedido de concorrer a eleições para o parlamento.
A sua atividade política ultrapassou as fronteiras de Hong Kong. O ativista testemunhou perante comissões do Congresso dos Estados Unidos e reuniu-se com dirigentes europeus, procurando apoio internacional e medidas contra Pequim. O seu percurso chegou mesmo a valer-lhe uma nomeação para o Prémio Nobel da Paz.
Mais tarde, esteve envolvido nos protestos antigovernamentais de 2019. As autoridades acusaram-no posteriormente de organizar ilegalmente primárias destinadas a escolher candidatos da oposição às eleições legislativas.

















