João Lourenço pediu esta segunda-feira, em Roma, apoio internacional à eleição de Josefa Sacko para diretora-geral da FAO, colocando a candidatura angolana no centro da sua intervenção no Fórum Mundial da Alimentação. A deslocação presidencial reforça a ofensiva diplomática de Luanda para conquistar a liderança da agência das Nações Unidas.

O Presidente afirmou que a escolha da engenheira angolana foi concertada com a União Africana e apresentou-a como uma candidatura ao serviço da segurança alimentar mundial. “Pedimos o apoio de todos para sua eleição”, declarou, evocando a experiência de Sacko na Organização Interafricana do Café e como comissária da União Africana.

Sob o lema ‘Inovar Hoje para Alimentar Amanhã’, Lourenço defendeu que o combate à fome exige financiamento, transferência de tecnologia e formação, criticando o contraste entre a abundância nos países desenvolvidos e a privação de milhões de pessoas, apontando os conflitos armados e as alterações climáticas como fatores que agravam a insegurança alimentar.

“África tem o potencial para ser o celeiro do mundo”, sustentou, apelando a investidores que levem recursos, tecnologia e conhecimento aos jovens africanos. Defendeu uma cooperação internacional que abandone a lógica de dominação e favoreça a paz e o desenvolvimento.

Como exemplo da resposta angolana, Joião Lourenço destacou o programa de combate à seca no sul do país, orçado em 4,2 mil milhões de dólares e parcialmente executado, sendo que este projeto abrange Cunene, Huíla e Namibe, com reservatórios e canais para abastecer populações e apoiar a agricultura e a pecuária durante todo o ano.

Lourenço valorizou a cooperação com a FAO e o Corredor do Lobito, apresentado como motor de industrialização, comércio e integração regional. Ao conjugar projetos nacionais, prioridades africanas e um apelo explícito ao voto em Sacko, o discurso deu expressão à ambição de Angola de assumir maior protagonismo nas decisões globais sobre alimentação.