Josefa Sacko é o rosto da ambição angolana de chegar à liderança da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A eleição está prevista para julho de 2027, para o mandato de 2027-2031, e a diplomata conta com o apoio da União Africana. Uma eventual vitória teria significado para Angola e para a influência africana nas decisões mundiais sobre alimentação.
Engenheira agrónoma, Sacko construiu uma carreira ligada ao desenvolvimento rural e à cooperação internacional. Foi secretária-geral da Organização Interafricana do Café, representando os interesses de 25 países produtores, e assessora do ministro angolano da Agricultura para a cooperação bilateral e multilateral. Na Comissão da União Africana, assumiu responsabilidades na agricultura, desenvolvimento rural, economia azul e ambiente sustentável.
Atualmente embaixadora de Angola em Itália e representante junto das agências das Nações Unidas sediadas em Roma, conhece os mecanismos de negociação internacional que serão decisivos nesta corrida. A candidatura foi apresentada em Roma a 12 de outubro, colocando o seu percurso ao serviço de uma aposta diplomática de Luanda.
Para Angola, a eleição representaria reconhecimento dos seus quadros e maior projeção num domínio estratégico: a transformação agrícola. Num país que procura diversificar a economia e reduzir a dependência alimentar do exterior, essa visibilidade poderia favorecer parcerias e intercâmbio de conhecimento, embora não significasse acesso privilegiado aos recursos da organização.
Para África, o alcance político seria mais vasto. A experiência de Sacko poderia dar maior expressão às necessidades dos pequenos produtores e à ligação entre agricultura, emprego e adaptação climática. O desafio seria converter essa experiência numa liderança de alcance mundial, capaz de mobilizar consensos. É essa a oportunidade que a candidatura abre: aproximar as prioridades africanas das decisões globais sobre o futuro da alimentação

















