A plataforma portuguesa de bilhética BOL anulou 933 bilhetes que tinham sido revendidos a preços especulativos para o concerto de Kanye West, realizado na passada sexta-feira (7) no Estádio do Algarve.
Segundo um comunicado enviado à agência Lusa, a empresa conseguiu detetar os ingressos antes da abertura de portas e impedir a respetiva utilização no acesso ao recinto, recorrendo a tecnologia desenvolvida internamente.
O espetáculo reuniu cerca de 34 mil pessoas, de acordo com os promotores, e a operação permitiu à BOL “identificar e invalidar 933 bilhetes do concerto de Kanye West, após operações de revenda especulativa”.
A plataforma estima que os ingressos em causa representassem, no conjunto, um valor situado entre os 250 mil e os 350 mil euros.
Para chegar aos bilhetes suspeitos, a empresa acompanhou anúncios e transações em várias plataformas de revenda e classificados, entre as quais Viagogo, StubHub, TicketSwap, OLX e Facebook. Em alguns casos, os preços pedidos aproximavam-se do dobro do valor original.
A ação teve como objetivo “combater práticas de revenda especulativa e proteger os consumidores de preços artificialmente inflacionados, reforçando simultaneamente o controlo dos promotores sobre a circulação dos bilhetes”.
A tecnologia utilizada permite seguir cada ingresso depois de este entrar no circuito de revenda e anulá-lo antes do início do evento. Segundo a BOL, foi possível “identificar individualmente os bilhetes depois de concretizada a operação de revenda especulativa e proceder à sua invalidação antes da realização do evento”.
A empresa sublinha que é precisamente esta “capacidade de intervenção antes da realização do evento que [...] diferencia a operação”.
Apesar de a ferramenta já ter sido usada anteriormente “com uma finalidade essencialmente dissuasora”, foi no concerto de Kanye West que a BOL avançou, pela primeira vez, para uma utilização em larga escala e com intervenção direta sobre bilhetes revendidos de forma especulativa.
“Conseguirmos identificar e invalidar 933 bilhetes num único evento demonstra que a tecnologia pode dar aos promotores um nível de controlo sobre o ciclo de vida do bilhete que até agora era muito difícil alcançar. Sobretudo, demonstra que esta capacidade pode ser replicada e levada para outros mercados”, afirmou Sara Gonçalves, diretora de operações da BOL.
Para a empresa, a operação permitiu comprovar a eficácia da tecnologia e reforçar o seu potencial de aplicação noutros setores onde a procura por bilhetes é elevada, incluindo festivais, espetáculos culturais, competições desportivas e outros grandes eventos.
“Esta não é uma solução criada para um único concerto. É tecnologia própria, desenvolvida em Portugal, que podemos continuar a aperfeiçoar, escalar e aplicar noutros eventos e mercados”, acrescentou Sara Gonçalves.
















