A BBC poderá fechar alguns dos seus canais de televisão e estações de rádio devido à atual situação financeira. A possibilidade foi admitida pelo diretor-geral da estação britânica, Matt Brittin, numa entrevista com Laura Kuenssberg, que será transmitida este domingo.
A BBC tem em curso um plano para conseguir poupar 500 milhões de libras, cerca de 581 milhões de euros, e o encerramento de alguns serviços poderá fazer parte das medidas para reduzir custos e reforçar a aposta nos conteúdos disponíveis online.
Matt Brittin explicou que a mudança nos hábitos do público está também a obrigar a BBC a repensar a forma como distribui os seus conteúdos. Segundo o responsável, existem canais e serviços que podem ter cerca de 100 mil espectadores através da transmissão tradicional, enquanto os mesmos programas chegam a cerca de 500 mil pessoas através do iPlayer, a plataforma de streaming da BBC.
"Não garantiríamos que nenhum programa ou canal existirá para sempre", afirmou Brittin, admitindo que a situação financeira está a obrigar a BBC a tomar algumas decisões "mais cedo" do que gostaria.
A ideia passa por perceber se determinados serviços continuam a justificar os custos associados à transmissão tradicional ou se deverão migrar totalmente para plataformas digitais.
O diretor-geral defendeu que a BBC está atualmente "presa ao modelo de ontem", numa altura em que os hábitos do público estão cada vez mais ligados ao consumo de conteúdos através da internet e de plataformas on-demand.
A estação britânica deverá anunciar em breve novas medidas relacionadas com a sua estrutura. Segundo informações avançadas esta semana, alguns canais de televisão e estações de rádio poderão ser alvo de encerramento, embora ainda não tenham sido confirmadas todas as decisões.
A BBC enfrenta também um processo de redução de custos que deverá envolver cerca de 2.000 postos de trabalho. As medidas fazem parte de um esforço mais amplo para adaptar a organização à evolução do consumo de televisão, rádio e conteúdos digitais.
Brittin admitiu ainda que a BBC está a estudar a utilização de inteligência artificial em algumas áreas. O responsável garantiu, contudo, que a tecnologia não deverá substituir os profissionais humanos, mas poderá ser utilizada para apoiar processos de decisão, criatividade e outras tarefas.
Matt assumiu o cargo de diretor-geral da BBC em maio, depois de ter deixado a presidência da Google para os mercados da Europa, Médio Oriente e África.

















