A Câmara Municipal das Lajes do Pico pretende apresentar, em fevereiro de 2027, uma candidatura do bote baleeiro açoriano à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
O processo depende primeiro da inscrição da manifestação 'Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico' no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. A candidatura entrou este mês em consulta pública, depois de ter ultrapassado as anteriores fases de avaliação.
A presidente da autarquia, Ana Brum, considera que o processo está devidamente sustentado e acredita que o município segue na direção certa: "Sabemos onde queremos chegar e sentimos que a candidatura está bem fundamentada para concretizar um desejo antigo da população."
Na ilha do Pico existem apenas dois construtores navais ligados a esta tradição, um dos quais já com idade avançada. A autarca destacou ainda a necessidade de preservar os conhecimentos associados à construção destas embarcações: "É necessário criar um verdadeiro plano de salvaguarda para impedir que estes saberes desapareçam."
A preparação do processo começou há cerca de 3 anos e incluiu a recolha de informação sobre técnicas de construção naval, regatas, navegação e manuseamento do bote. O pedido de inscrição no património imaterial português foi entregue em junho de 2025.
Ana Brum sublinhou que a iniciativa não pertence apenas ao município: "Esta não é uma candidatura da Câmara ou apenas das Lajes do Pico. Pertence aos picarotos e a todos os açorianos, para que o bote e os conhecimentos que lhe estão associados sejam reconhecidos e protegidos."
A consulta pública decorrerá durante 30 dias, período em que cidadãos e entidades podem apresentar contributos. Depois dessa fase, o Património Cultural terá até 120 dias para decidir sobre a inscrição no inventário nacional.
O bote baleeiro está profundamente ligado à história dos Açores. A caça à baleia terminou no arquipélago em 1984, recorde-se, mas as embarcações, construídas para operações artesanais com arpão, continuam a ser utilizadas em regatas e permanecem como um importante símbolo da identidade regional.

















