Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, aproveitou a abertura da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, esta terça-feira, dia 22, em Nova Iorque, para defender a soberania do Brasil, criticar a atuação das grandes potências e alertar para a escalada dos conflitos internacionais.
Num dos momentos de maior destaque da intervenção, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, numa referência à posição do país perante pressões e interferências externas. A declaração surge num período de forte tensão entre Brasília e Washington, marcado pelas tarifas impostas pela administração de Donald Trump aos produtos do seu país.
O presidente brasileiro abordou também as eleições de 2026. A primeira volta está marcada para 4 de outubro e Lula afirmou que o processo eleitoral deve respeitar a soberania de cada país. Segundo Lula, a democracia está “em xeque” e não deve existir ingerência externa nas decisões dos eleitores.
O histórico líder do PT criticou ainda a atual situação da Organização das Nações Unidas. Na sua avaliação, este é um dos momentos mais difíceis da história da ONU, que enfrenta dificuldades para responder aos conflitos e proteger as populações civis. O chefe de Estado brasileiro defendeu uma reforma das instituições multilaterais e criticou a falta de respostas perante as guerras em curso.
O presidente brasileiro voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e criticou o que classificou como “imobilismo” perante os conflitos internacionais. Lula apresentou o multilateralismo e a cooperação entre os países como alternativas à concentração das decisões nas grandes potências.
A guerra no Médio Oriente esteve entre os principais assuntos da intervenção. Lula condenou os ataques do Hamas, que classificou como terrorismo, e afirmou que isso não justifica aquilo que chamou de genocídio contra a população palestiniana. O presidente voltou a defender a criação de um Estado palestiniano e uma solução negociada para o conflito.
O Estreito de Ormuz também foi mencionado. A passagem marítima, fundamental para o transporte internacional de petróleo e gás, foi apresentada por Lula como uma rota que deveria servir o comércio mundial, mas que acabou transformada numa zona de confronto devido à guerra.
Na área da segurança, Lula afirmou que o Brasil está preparado para combater o crime organizado. O presidente defendeu o reforço do combate ao branqueamento de capitais como uma das formas de atingir financeiramente as organizações criminosas.
A vacinação também entrou no discurso. Lula criticou as campanhas de desinformação contra as vacinas e afirmou que a disseminação de informações falsas contribui para o reaparecimento de doenças que já estavam controladas.
Na área ambiental, o presidente reafirmou os compromissos do Brasil com a preservação das florestas. Lula afirmou que “a floresta vale mais em pé do que destruída” e defendeu a continuidade da agenda ambiental brasileira.
A Inteligência Artificial foi outro dos temas abordados. Lula defendeu a criação de regras internacionais para acompanhar o desenvolvimento da tecnologia e estabelecer mecanismos de governação capazes de responder aos seus impactos.
No plano económico, o presidente afirmou que o Brasil não pretende ceder a pressões relacionadas com o Pix. Apesar das tarifas norte-americanas, Lula disse que o país poderá atingir novos recordes de exportações e continuará a procurar novos mercados para os produtos brasileiros.
A intervenção brasileira na Assembleia Geral ocorreu num momento marcado pela guerra, pela tensão comercial entre o Brasil e os Estados Unidos e pela proximidade das eleições brasileiras. Lula defendeu uma maior participação dos países em desenvolvimento nas instituições internacionais e voltou a pedir mudanças na estrutura de decisão da ONU.
Ao longo do discurso, o presidente abordou ainda temas como a pobreza, a fome, o ambiente e a necessidade de reforçar a cooperação internacional, mantendo a soberania nacional entre os principais pontos da posição apresentada pelo Brasil.

















