O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, antecipou-se ao arranque oficial da Cimeira do G7 e dedicou esta segunda-feira, 15, a uma intensa agenda de reuniões bilaterais em Évian-les-Bains, na França. Convidado pessoalmente pelo homólogo francês, Emmanuel Macron, para integrar o fórum das maiores economias do mundo – que começa formalmente apenas hoje – , o líder brasileiro aproveitou as vésperas do evento para tentar desbloquear crises comerciais e alinhar parcerias estratégicas em áreas que vão desde a defesa militar à soberania digital.
O encontro mais aguardado do dia ocorreu com o anfitrião, Emmanuel Macron, numa reunião que durou cerca de 40 minutos. Apesar de partilharem uma forte aliança política em frentes globais, como o combate às alterações climáticas, a proteção do meio ambiente e a defesa do multilateralismo, os dois chefes de Estado enfrentam divergências económicas profundas. Macron reiterou a sua firme oposição ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, alegando a falta de garantias para salvaguardar os produtores agrícolas franceses. O clima de tensão comercial acentuou-se devido ao veto imposto pela Europa às importações de carne brasileira, previsto para entrar em vigor já em setembro sob a justificação de exigências sanitárias – uma medida que o governo brasileiro ainda tenta reverter diplomaticamente.
Por outro lado, o diálogo entre os dois líderes avançou substancialmente nos setores tecnológico e militar. Lula e Macron celebraram o progresso da cooperação na área da defesa, com especial enfoque no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Os mandatários concordaram ainda em agilizar medidas para aprofundar a cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o estado do Amapá. No campo tecnológico, Macron manifestou o interesse formal da França em apoiar os esforços do Brasil na aquisição de supercomputadores, uma iniciativa vista por Brasília como essencial para o reforço da soberania digital do país.
Ainda nesta segunda-feira, Lula da Silva reuniu-se com o Presidente da Suíça, Guy Parmelin. No encontro, os dois líderes defenderam o incremento do comércio bilateral, focando-se na ampliação das exportações e na ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). A conversa estratégica com a Confederação Suíça abrangeu ainda a cooperação em setores considerados vitais para o futuro económico de ambas as nações, tais como a transição energética, a exploração de minerais críticos, a biotecnologia, a saúde e a defesa.
A ofensiva diplomática do Palácio do Planalto em solo francês continuará ao longo dos próximos dias. Estão já previstas reuniões bilaterais de Lula da Silva com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, bem como encontros com os chefes de Estado e de governo do Egito, Japão, Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido. A comitiva brasileira mantém também os esforços de bastidores para viabilizar uma reunião direta com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o intuito de negociar as tarifas alfandegárias recentemente impostas por Washington aos produtos industriais do Brasil.

















