O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá centrar o seu discurso na Cimeira do G7 no combate ao unilateralismo e ao protecionismo económico. A estratégia surge num momento delicado para o Brasil, que enfrenta entraves comerciais impostos pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a orientação é transmitir uma mensagem de descontentamento com as recentes barreiras ao comércio internacional, sem mencionar diretamente os países envolvidos. Recentemente, a União Europeia suspendeu a importação de carne brasileira devido a exigências sanitárias, uma decisão que Brasília considera ter motivações políticas.

Ao mesmo tempo, o governo de Donald Trump concluiu investigações que poderão resultar na imposição de novas taxas sobre produtos brasileiros: uma tarifa de 25%, alegadamente por práticas comerciais desleais, e outra de 12,5%, sob a acusação de utilização de trabalho forçado.

Em França, nos dias 16 e 17 de junho, Lula participará nos debates sobre parcerias internacionais e crescimento económico equilibrado. O líder brasileiro deverá defender que medidas económicas unilaterais agravam as desigualdades globais e prejudicam os países em desenvolvimento.

A intervenção servirá ainda para reforçar a posição do Brasil em defesa da reforma de instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio e o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que Brasília considera desajustadas aos desafios da atual ordem internacional.