O pior do Bairro Alto já é notícia além-fronteiras. O ruído, sujidade e consumo de álcool e drogas na principal zona de diversão noturna lisboeta foi reportado pela RTVE, estação pública espanhola, que fala das queixas dos moradores. Passaram três meses desde o início da proibição da venda de bebidas alcoólicas para consumo na rua à noite, mas a lei revela-se "ineficaz" e penaliza os comerciantes, mas não os compradores.
A restrição diz respeito à venda de bebidas alcoólicas para fora dos estabelecimentos em toda a cidade, a partir das 23:00, de domingo a quinta-feira, e desde as 24:00, à sexta-feira, sábado e véspera de feriado. Os moradores continuam, porém, a ter de lidar com o barulho intenso, ruas sujas, pessoas a urinar no espaço público e consumo e tráfico de substâncias ilícitas, como denuncia a representante da Associação de Habitantes do Bairro Alto, Paula Mateus.
A jornalista da RTVE, Lara Siscar, dá conta também da transformação dos restaurantes típicos e casas de fado, que se viram convertidos em bares, destinados ao "turismo de embriaguez". O presidente da associação Comerciantes do Bairro Alto, Hilario Castro, sublinhou à estação pública espanhola que o Bairro Alto deve ser valorizado pela sua essência: "Queremos que as pessoas e os turistas continuem a vir ao Bairro Alto, mas como ponto de interesse e não como um ponto de venda de álcool."
As associações de moradores e comerciantes do Bairro Alto continuam a contestar o controlo da zona, para que seja restaurado o espírito bairrista e boémio, através de uma convivência pacífica.

















