Emmanuel Macron, de 48 anos, e Pedro Sánchez (54) abriram a porta a um eventual regresso do Reino Unido à União Europeia, numa altura em que o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, admite pela primeira vez que a reintegração no bloco comunitário pode ser uma das opções para o futuro do país.

O presidente francês classificou a possibilidade como uma “excelente notícia” e deixou uma mensagem clara aos britânicos: “Bem-vindos de volta.” Já o chefe do governo espanhol garantiu que Espanha receberia o Reino Unido “de braços abertos” caso Londres decidisse inverter o Brexit.

As reações surgem depois de Burnham ter defendido uma discussão sobre diferentes modelos para a relação com Bruxelas. O líder trabalhista admite manter o atual enquadramento, regressar à união aduaneira, integrar novamente o mercado único ou avançar mesmo para uma nova adesão à UE.

Burnham, que fez campanha pela permanência no referendo de 2016, considera agora que o Brexit provocou “mais prejuízos do que benefícios”, sobretudo à economia britânica.

Um eventual regresso, porém, estaria longe de ser automático. Bruxelas deverá exigir o cumprimento integral das regras comunitárias, incluindo as quatro liberdades do mercado único, entre elas a livre circulação de pessoas. Também não é garantido que Londres recuperasse as antigas exceções de que beneficiava antes do Brexit.

O Reino Unido decidiu abandonar a UE no referendo de 23 de junho de 2016, quando 51,9% dos votantes escolheram a saída. A rutura tornou-se efetiva após o período de transição, terminado em dezembro de 2020. Uma década depois da votação histórica, a hipótese de regresso entra agora, abertamente, no debate político britânico.