Mário Centeno criticou Marcelo Rebelo de Sousa pela decisão de, em 2024, ter dado posse ao primeiro governo de Luís Montenegro sem que a AD dispusesse de uma maioria parlamentar que garantisse estabilidade ao Executivo. “Não consigo entender como é que se dá posse a governos que não têm apoio parlamentar”, afirmou o antigo ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal.

Na primeira conferência do Instituto Progresso, realizada ontem, sábado, em Lisboa, Centeno sustentou que um governo sem uma base sólida na Assembleia da República enfrenta maiores dificuldades para concretizar reformas. “O país não merece, o país não pode ter legislaturas desta natureza”, declarou, defendendo que a estabilidade política deve ser construída no Parlamento.

Cavaco foi mais exigente

Centeno estabeleceu ainda um paralelo com 2015, recordando que Cavaco Silva exigiu um acordo escrito antes de dar posse ao Governo minoritário do PS liderado por António Costa, sustentado parlamentarmente por PCP e Bloco de Esquerda. Para o antigo ministro, essa exigência foi um importante contributo para a estabilidade política do país.

As críticas surgem mais de dois anos depois de Marcelo ter recusado a solução então defendida por António Costa para evitar eleições antecipadas após a sua demissão: a substituição na chefia do governo, mantendo a maioria absoluta do PS, tendo o nome de Mário Centeno sido apontado como possível sucessor.