O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou às redações e direções de informação para boicotarem declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sempre que os profissionais da comunicação social sejam impedidos de fazer perguntas.
A posição foi agora assumida num comunicado, no qual a estrutura sindical acusa o chefe do Governo AD de ter tornado recorrentes intervenções públicas sem um período destinado a questões dos jornalistas.
O episódio mais recente apontado pelo sindicato ocorreu na quinta-feira, dia 17, depois do Conselho de Ministros. Montenegro apresentou as medidas aprovadas pelo Executivo, mas não respondeu a perguntas. “Se não permitem colocar questões, não devem estar jornalistas presentes”, defende o SJ, que reclama uma “posição de força” das redações e recorda que o IV Congresso dos Jornalistas aprovou uma proposta de boicote a conferências de imprensa sem direito a questões.
Para a estrutura sindical, está em causa a própria capacidade de escrutínio do poder. “Impedir perguntas é impedir a prática jornalística”, sustenta, acrescentando que, sem possibilidade de questionar responsáveis públicos ou privados, a mera transmissão das declarações pode transformar-se, no entendimento do SJ, num “exercício de propaganda”. Nesse cenário, argumenta, seria preferível o envio de um comunicado de imprensa.
O sindicato invoca ainda um episódio histórico: durante o cerco ao Quartel do Carmo, em 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia disponibilizou 14 minutos para responder aos jornalistas, apesar de decorrer a operação militar que levaria à rendição de Marcelo Caetano. O SJ usa o exemplo para defender que Montenegro deve reservar espaço para perguntas sempre que pretende dirigir-se publicamente ao País através da comunicação social.

















