A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) mostrou-se disponível para colaborar numa eventual auditoria do Estado ao processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica.

A posição surge depois de a associação Coração Silenciado, que representa vítimas, ter pedido uma auditoria pública ao processo. Representantes da associação foram recebidos na sexta-feira, dia 18, pelo Presidente da República, António José Seguro, a quem transmitiram várias críticas à forma como as compensações foram atribuídas.

Em resposta à agência Lusa, a CEP garantiu ter “total disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos solicitados e colaborar no combate aos abusos sexuais”. A Igreja lembra, contudo, que o processo de compensações foi criado de forma voluntária e que os critérios utilizados foram divulgados publicamente.

A Coração Silenciado contesta a forma como todo o processo foi conduzido e aponta falta de transparência. Uma das críticas está relacionada com os relatórios elaborados sobre cada caso, aos quais as próprias vítimas não terão acesso, apesar de terem servido de base às decisões sobre as indemnizações.

A associação também critica a atuação das instituições públicas e considera que o Estado deveria ter tido um papel mais ativo.

António José Seguro mostrou-se disponível para acompanhar o assunto e perceber que medidas poderão ser tomadas relativamente ao pedido de auditoria.