A Polícia Federal do Brasil revelou novos detalhes sobre uma alegada estrutura clandestina ligada ao empresário Daniel Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o grupo, conhecido internamente como 'A Turma', teria sido criado para monitorizar autoridades, intimidar investigadores e apagar provas digitais relacionadas com o caso Banco Master.

De acordo com a investigação, a organização continuava ativa mesmo após as primeiras fases da operação e seria composta por diferentes núcleos especializados. Um dos grupos, apelidado de 'Os Meninos', seria formado por hackers responsáveis por invasões informáticas, derrube de perfis nas redes sociais e eliminação remota de ficheiros considerados sensíveis para o esquema.

A PF afirma ter identificado indícios de espionagem contra agentes federais, incluindo recolha ilegal de moradas, matrículas de automóveis e dados pessoais de investigadores envolvidos no caso. As autoridades suspeitam ainda da utilização de softwares capazes de apagar rastos digitais à distância.

Outro ponto considerado grave pela investigação envolve a suposta inserção de códigos ocultos em petições electrónicas enviadas ao sistema judicial. Os investigadores acreditam que esses comandos poderiam interferir em sistemas automatizados do Judiciário e dificultar o rastreamento de actividades ligadas ao grupo.

A operação também mira pessoas próximas de Daniel Vorcaro, incluindo o pai do empresário, Henrique Vorcaro. Segundo a PF, ele teria mantido contactos frequentes com integrantes da estrutura investigada mesmo após as primeiras prisões relacionadas com o caso.

As autoridades investigam possíveis crimes de organização criminosa, invasão de dispositivos electrónicos, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional. A decisão do Supremo Tribunal Federal descreve o esquema como uma estrutura altamente sofisticada de contra-inteligência e destruição de provas.