A vida de luxo e a intensa articulação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos deixaram de ser apenas alvo de críticas políticas para se tornarem o centro de uma das investigações mais explosivas da Polícia Federal. O que os investigadores agora apuram é um possível esquema financeiro que liga o clã Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Sob a fachada do financiamento da cinebiografia 'Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cerca de 61 milhões de reais (10,6 milhões de dólares) teriam sido enviados para um fundo no Texas gerido pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, levantando suspeitas de que o projeto cinematográfico possa ter servido para financiar a estrutura do ex-deputado em solo americano.
A crise agravou-se depois de a Polícia Federal prender Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, Henrique teria actuado em conjunto com o filho num esquema de intimidação, ocultação patrimonial e movimentações financeiras suspeitas ligadas ao escândalo do Banco Master.
Documentos e conversas obtidos pela investigação revelam uma triangulação que fragiliza a narrativa apresentada pela família Bolsonaro. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro cobrava Daniel Vorcaro por mensagens de WhatsApp relacionadas ao financiamento do filme, a produtora GOUP Entertainment e o deputado Mário Frias, ligados ao projecto, afirmaram publicamente não ter recebido qualquer valor do banqueiro.
Os investigadores apontam que a verba milionária saiu da empresa Entre Investimentos, associada a Vorcaro, e foi direccionada ao Havengate Development Fund LP, em Dallas, estrutura ligada ao escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Pressionado pelas revelações, Flávio Bolsonaro admitiu a negociação dos recursos para o fundo ligado ao advogado do irmão, mas negou qualquer uso pessoal do dinheiro. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, afirmou ter apenas cedido direitos de imagem para a produção cinematográfica.
Nos bastidores de Brasília, cresce a pressão para que a Procuradoria-Geral da República aprofunde a investigação sobre o destino dos recursos. A principal dúvida levantada por investigadores e opositores é simples: se o dinheiro era destinado ao filme e os produtores dizem não o ter recebido, quem estaria então a financiar a permanência e a estrutura política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos?
Apesar das suspeitas e do avanço da investigação, Flávio Bolsonaro afirma que não houve qualquer irregularidade e sustenta que as acusações divulgadas contra a família não correspondem à verdade.

















