David Hockney morreu esta quinta-feira, dia 11, aos 88 anos, confirmou a sua assessoria através de um comunicado divulgado esta sexta-feira, dia 12. Considerado uma das maiores figuras da arte contemporânea, o pintor britânico deixa um legado que atravessa mais de seis décadas de carreira e marcou profundamente a história da pintura mundial.

“O célebre artista britânico David Hockney, uma das figuras mais importantes da arte contemporânea tanto no século XX como no século XXI, morreu tranquilamente em casa no dia 11 de junho de 2026”, refere a nota divulgada pelos seus representantes e citada pela imprensa britânica.

Natural de Bradford, em Inglaterra, onde nasceu em 1937, Hockney cresceu numa família operária e era o quarto de cinco irmãos. O interesse pelas artes surgiu cedo e levou-o a estudar na Bradford College of Art. Ainda estudante, vendeu o seu primeiro quadro, um retrato do pai, por 10 libras durante a Yorkshire Artists Exhibition, em 1957.

Foi, no entanto, durante a década de 1960 que alcançou reconhecimento internacional ao tornar-se um dos principais nomes da Pop Art britânica. Obras como ‘A Bigger Splash’, ‘My Parents’ e ‘Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)’ tornaram-se referências incontornáveis da pintura moderna e ajudaram a consolidar o seu prestígio junto do público e da crítica.

Ao longo da carreira, Hockney nunca deixou de experimentar novas linguagens artísticas. Além das pinturas e retratos, explorou colagens fotográficas, paisagens de inspiração abstrata e, já nos últimos anos, dedicou-se à criação de trabalhos recorrendo às mais recentes tecnologias digitais e tridimensionais.

Conhecido também pelo seu espírito independente, recusou cumprir o serviço militar por objeção de consciência e desempenhou funções como auxiliar de enfermagem antes de ingressar no Royal College of Art, em Londres, em 1959. Durante o curso, protagonizou um episódio que ficou para a história da instituição: recusou pintar um modelo feminino em aula e apresentou, em alternativa, ‘Life Drawing for a Diploma’, inspirado numa figura masculina retirada de uma revista de fitness. Também rejeitou escrever a dissertação final, defendendo que o seu talento deveria ser avaliado apenas através da obra artística. Perante a qualidade do seu trabalho, a escola acabou por flexibilizar as regras e atribuir-lhe o diploma.