Peter Max, artista norte-americano de origem alemã e uma das principais figuras da arte psicadélica, morreu, esta segunda-feira, dia 14, aos 88 anos. A morte foi anunciada esta quinta-feira, 17, pela família.
Ao longo da carreira, Peter tornou-se conhecido pelas composições de cores vibrantes e por trabalhos que passaram pela música, televisão, publicidade e cultura popular. Entre as obras mais reconhecidas estão a capa de ‘Yellow Submarine’, dos Beatles, e o primeiro logótipo da MTV, criado em 1981.
A família descreveu-o como um homem de “extraordinária criatividade”, destacando a sua curiosidade e a capacidade de encontrar beleza à sua volta: “Mas é o homem por detrás dela, o pai que conhecemos e amamos, que mais nos fará falta.”
Uma vida marcada pela fuga ao nazismo
Peter Max Finkelstein nasceu em Berlim, em 1937, numa família judia que abandonou a Alemanha para escapar à perseguição nazi. Depois de passar pela China, viveu em Israel e França antes de se estabelecer nos Estados Unidos.
Chegou a Nova Iorque em 1953, aos 16 anos, e estudou na School of Visual Arts e no Pratt Institute. Começou a carreira como designer gráfico e abriu posteriormente o próprio estúdio.
Foi nos anos 1960 que ganhou projeção, graças a uma linguagem visual marcada pelo psicadelismo, pelas cores fortes e por referências à banda desenhada e ao cartoon. O seu trabalho espalhou-se por cartazes, colagens, litografias e serigrafias.
Uma carreira além da pintura
Peter Max representou várias vezes a Estátua da Liberdade e criou retratos de personalidades como Jimi Hendrix, os Beatles e vários presidentes norte-americanos.
Na década de 1970, produziu os murais ‘Welcome to America’ localizados nas fronteiras dos Estados Unidos com o Canadá e o México. Em 1994, foi escolhido como artista oficial do Campeonato do Mundo de Futebol realizado nos Estados Unidos.
A sua obra chegou também a objetos e espaços pouco convencionais. Max aplicou as suas criações em aviões, navios de cruzeiro, relógios e outros produtos, incluindo peças desenvolvidas para a General Electric.
Entre os trabalhos mais tardios esteve um retrato de Taylor Swift, realizado nos primeiros anos da carreira da cantora.
No final dos anos 1990, o artista foi condenado por não declarar mais de 700 mil dólares em rendimentos provenientes da venda das suas obras.
Depois de se declarar culpado, cumpriu dois meses de prisão, pagou uma multa de 30 mil dólares (cerca de 26 mil euros) e realizou 800 horas de serviço comunitário. Parte desse período foi dedicada ao ensino de arte em escolas do Harlem.
A ligação de Peter Max a Portugal remonta a 1973, quando participou numa exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dedicada a cartazes da coleção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. A mostra reuniu também trabalhos de artistas como Picasso, Braque, Dubuffet, Miró e Frank Stella.
O legado de Peter Max continua reunido no seu site oficial, onde estão disponíveis muitas das suas obras.

















