Imagine abrir o WhatsApp, ver tudo aparentemente normal e, sem ter clicado em qualquer ligação ou introduzido um código, descobrir mais tarde que alguém está a utilizar a sua conta para pedir dinheiro aos seus contactos. É este o cenário de uma nova burla identificada pela Polícia de Segurança Pública (PSP).
O esquema permite aos criminosos criar uma cópia da conta noutro equipamento. O titular continua a conseguir utilizar a aplicação como habitualmente, mas os burlões passam a ter acesso à conta através de outro dispositivo e podem enviar mensagens em seu nome.
A situação torna-se particularmente perigosa porque a vítima pode não perceber imediatamente o que está a acontecer. As mensagens enviadas pelos atacantes não surgem necessariamente no telemóvel do verdadeiro titular. São recebidas pelos contactos e ficam visíveis no dispositivo utilizado pelos burlões.
O objetivo passa, normalmente, por convencer familiares ou amigos a transferir dinheiro. Entre os exemplos divulgados pelas autoridades está um pedido urgente de 988 euros, acompanhado da justificação de que existe um problema com o Mb Way e que é necessária ajuda para realizar a transferência.
O que está por detrás do esquema?
A PSP explica que os criminosos exploram uma vulnerabilidade de versões antigas do sistema operativo dos iPhones, combinando-a com outra falha do WhatsApp.
O problema afeta versões do iOS anteriores à 16.7.12. Através da exploração destas vulnerabilidades, os atacantes conseguem replicar a conta num segundo dispositivo sem que a vítima tenha necessariamente de carregar num link, fornecer um código ou realizar qualquer outra ação.
É precisamente essa característica que torna o método mais difícil de reconhecer do que burlas como o conhecido esquema do “Olá pai, olá mãe”.
Há uma forma simples de verificar se a conta foi copiada
Uma das medidas recomendadas passa por consultar regularmente os equipamentos que têm acesso à conta.
No WhatsApp, basta entrar em Definições > Dispositivos ligados e verificar se todos os equipamentos apresentados são conhecidos. Qualquer sessão suspeita deve ser encerrada imediatamente.
A PSP recomenda também manter o iPhone e a aplicação atualizados, ativar a confirmação em duas etapas e estabelecer uma palavra secreta com familiares ou outras pessoas próximas.
Essa combinação pode ser especialmente útil perante mensagens inesperadas a pedir dinheiro. Antes de efetuar qualquer transferência, deve confirmar diretamente com a pessoa se foi realmente ela quem fez o pedido.
O que fazer se já tiver sido vítima?
Quem suspeitar que a sua conta foi comprometida deve começar por atualizar o iOS e o WhatsApp e verificar novamente os dispositivos associados à conta. As sessões que não reconhecer devem ser terminadas de imediato.
Se tiver ocorrido uma fraude financeira, o caso deve ser comunicado às autoridades. O Banco de Portugal indica que situações deste género podem ser denunciadas à PSP, à GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público.
A PSP chama ainda a atenção para o Guardião, um projeto criado para detetar padrões associados a burlas e bloquear, de forma automática, chamadas e mensagens consideradas fraudulentas.
A plataforma foi desenvolvida pela engenheira informática Rita Barbosa, depois de a avó ter sido vítima de uma fraude por telefone, e conta com protocolos de colaboração com entidades como a PSP.

















